Desmistificando o Dito de que o Aumento de Apreensões de Armas de Fogo é Indicador de Falha na Prevenção Policial

No dia três de julho de dois mil e quinze a Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro – PMERJ divulgou em sua página do Facebook (www.facebook.com/pmerjoficial) os seguintes dados sobre apreensão de armas no Estado do Rio de Janeiro referente ao período de janeiro a maio de 2015:

11403130_965509326803959_3900164538362160828_nFonte: Instituto de Segurança Pública (ISP). Infográfico, Jornal O Dia, 03/07/2015.

O que me levou a refletir sobre o mito de que o aumento de apreensões de armas de fogo no Estado do Rio de Janeiro reflete a falha da prevenção policial. Pois bem, na época em que “estudiosos” de polícia afirmavam isso, não tínhamos dados criminais confiáveis sobre as incidências criminais no Estado e nem a Secretaria de Estado de Segurança – SESEG utilizava os Indicadores Estratégicos de Criminalidade do Estado, que são compostos pelos crimes que, em tese, têm maior impacto na sensação de insegurança da população, fazendo desses crimes, objeto das metas estabelecidas pelo Governo e que deram início ao Sistema de Metas e Acompanhamento de Resultados.

Os Indicadores Estratégicos de Criminalidade no Estado, conforme o site do Instituto de Segurança Pública – ISP (www.isp.rj.gov.br), acompanhados pelo Sistema Integrado de Metas são os seguintes:

  • Letalidade Violenta – somatório do número de vítimas de homicídios dolosos, lesões corporais seguida de morte, latrocínio e auto de resistência;
  • Roubo de Veículos;
  • Roubo de Rua – somatório de incidências de roubo a transeunte, roubo em coletivo e roubo de aparelho celular.

A postagem do Facebook da PMERJ, que tem por fonte o ISP e a imagem creditada ao Jornal O Dia, nos informa que no período de janeiro a maio de 2015 foram apreendidas 3989 armas de fogo, 11% a mais em relação ao mesmo período de 2014, ou seja, foram apreendias 396 armas de fogo a mais do que em 2014. Agora, analisando os dados criminais relativos aos Indicadores Estratégicos de Criminalidade referentes ao mesmo período das apreensões de armas de fogo – janeiro a maio de 2015, comparando com janeiro a maio de 2014 -, obtivemos os seguintes resultados, conforme dados oficiais do ISP:

Indicadores Estratégicos - Jan a Mai 2014 e 2015

Logo, o aumento de 11% das apreensões de armas de fogo no período comparado supracitado – 396 armas a mais apreendidas -, acarretou na redução de 17,05% das ocorrências de Letalidade Violenta  – 456 ocorrências a menos -; na redução de 12,65% das ocorrências de Roubo de Veículos – 1939 ocorrências a menos -; e na redução de 3,39% das ocorrências de Roubo de Rua – 1348 ocorrências a menos.

Concluímos então, que o mito de que o aumento de apreensões de armas de fogo é um indicador de falha na prevenção policial. Pois, uma vez que reduzem os Indicadores Estratégicos de Criminalidade do Estado, as polícias (civil e militar) demonstram a eficácia de seu planejamento estratégico no alcance de suas metas de redução de criminalidade, prevenindo que ocorrências criminais ocorressem como reflexo direto das apreensões de armas de fogo. Bem como demonstram a eficiência das polícias em seus diversos níveis operacionais em tirarem essas armas – que futuramente seriam usadas no cometimento de mais crimes – de circulação.

Outro mito que pode ser derrubado é o de que o confronto armado entre polícia e marginal não tem resultado na redução criminal. Pois analisando e comparando os dados criminais de janeiro a maio dos anos de 2014 e 2015, temos uma clara visão de que no período supracitado, tivemos um aumento nos confrontos entre policiais e marginais em 2015. Já que os homicídios provenientes de autos de resistência aumentaram de 242 em 2014 para 303 em 2015, ou seja, 61 marginais a mais mortos em confronto com policiais – um aumento de 25,21% de bandidos mortos. Ao passo que também tivemos aumento no quantitativo de policiais mortos em serviço no período, foram 9 policiais em 2014 e 13 policiais em 2015, ou seja, 4 policiais a mais mortos em confronto com bandidos – um aumento de 44% de policiais mortos em serviço.

Assim, podemos relacionar o aumento de confronto armado entre policiais e marginais, e a consequente morte desses bandidos (25,21% a mais), com o aumento na quantidade de apreensão de armas de fogo (11% a mais) e a consequente redução da criminalidade violenta – Letalidade Violenta (17,05% a menos), Roubo de Veículos (12,65% a menos) e Roubo de Rua (3,39% a menos). .

Anúncios

3 pensamentos sobre “Desmistificando o Dito de que o Aumento de Apreensões de Armas de Fogo é Indicador de Falha na Prevenção Policial

  1. Eduardo de Oliveira Ribeiro disse:

    Excelente pesquisa!! Muito bem avaliada e respaldada em números da própria secretaria de segurança!! Isso os poliçólogos marqueteiros não exibem!!!! Parabéns comandante. Excelente estudo!!!

    Curtido por 1 pessoa

  2. MARIA CHRISTINA ANTUNES FREITAS disse:

    Parabéns Cap Italo! Uma análise séria e bem respaldada! Abraço fraterno!

    Curtido por 1 pessoa

  3. italo0140 disse:

    Muito obrigado amigos!

    Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s